A ARTE DE LER

O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.

Mario Quintana (Caderno H)

quinta-feira, 17 de março de 2011

A PERDA


A perda

Amélie saiu em silêncio. Preferiu assim. Somente suas lágrimas denunciavam a dor e a vontade de estar longe daquele lugar sombrio. Era um final de tarde chuvoso. Talvez um dos momentos mais difíceis de sua vida. Retornou a sua casa, entrou em seu quarto e viu sua vida desmoronar.  Pedaços de um amor intenso, de uma paixão ardente, de planos e decepções: ali, terminado sem explicação.
Não era a primeira separação de Amélie, mas era o seu primeiro amor. Um amor que foi embora deixando-a sem ação. À beira da cama, ela tentava juntar as migalhas de um amor mágico. Seus pensamentos borbulhavam... E suas lágrimas brotavam.
Suas mãos fechavam as caixas, enquanto seu coração fechava as portas para a vida. Amélie tentava compreender o que estava acontecendo, mas seus sentimentos não a deixavam assimilar aquele adeus. Aquele era um amor que jamais voltaria. E isso lhe perfurava a alma.
Amélie tentava ser forte em meio aos bilhetes apaixonados. O seu choro era sua fuga para aquela dor dilacerante, porém suas lágrimas não aliviavam sua tristeza, muito pelo contrário, aumentavam sua melancolia, principalmente quando encontrou uma foto. Era a foto do seu primeiro encontro com aquele que agora seguia a vida eterna.  Foi nesse dia que Amélie descobriu que Alfredo era o seu primeiro amor.
Tentou resistir, mas não conseguiu. Desfaleceu em cima da cama, abraçada às lembranças dos seus mais belos momentos daqueles 75 anos de vida.


Autor: Roberta Silveira Carvalho

Um comentário: