A ARTE DE LER

O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.

Mario Quintana (Caderno H)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain


O Fabuloso Destino de Amélie Poulain - Cartaz

O fabuloso destino de Amélie Poulain, um filme francês que encantou a todos.
Amélie, uma moça humilde, adorável e sozinha, ao passar por diversos obstáculos, adquire uma nova visão de vida e nos leva, telespectadores, a refletir sobre o que é realmente importante em nossas vidas.
Um filme inteligente, bonito e emocionante.
Não tem como perder.
Bom filme!!


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O melhor da poesia infantil e infanto-juvenil



Mãe - Sérgio Caparelli

De patins, de bicicleta
de carro, moto, avião
nas asas da borboleta
e nos olhos do gavião
de barco, de velocípedes
a cavalo num trovão
nas cores do arco-íris
no rugido de um leão
na graça de um golfinho
e no germinar do grão
teu nome eu trago, mãe,
na palma da minha mão.







A Semana Inteira - Sérgio Capparelli

A segunda foi à feira,
Precisava de feijão;
A terça foi à feira,
Pra comprar um pimentão;
A quarta foi à feira,
Pra buscar quiabo e pão;
A quinta foi à feira,
Pois gostava de agrião;
A sexta foi à feira,
Tem banana? Tem mamão?

Sábado não tem feira
E domingo também não.







FICÇÃO CIENTÍFICA – José Paulo Paes

Depois de uma viagem
pelo espaço sideral,
o astronauta chegou ao seu destino final:

Um palneta diferente
cujo em-cima estava em-baixo
e o atrás ficava na frente.

Um planeta tão estranho
que a sujeira era limpa
e a água tomava banho

Um planeta mesmo louco
onde o uito era nada
e o tudo muito pouco.

Um planeta dos mais raros:
o seu ouro era de graça,
o lixo custava caro.

O astronauta não gostou
e foi-se embora. Quando
pensou estar muito longe,
Viu-se outra vez chegando

num planeta onde, aliás,
o em-baixo ficava em-cima
e a frente estava por trás...



COTOVIA – Manuel Bandeira

- Alô, cotovia!
Aonde voaste,
Por onde andaste,
Que saudades me deixaste?
- Andei onde deu o vento.
Onde foi meu pensamento
Em sítios, que nunca viste,
De um país que não existe . . .
Voltei, te trouxe a alegria.
- Muito contas, cotovia!
E que outras terras distantes
Visitaste? Dize ao triste.
- Líbia ardente, Cítia fria,
Europa, França, Bahia . . .

- E esqueceste Pernambuco,
Distraída?

- Voei ao Recife, no Cais
Pousei na Rua da Aurora.

- Aurora da minha vida
Que os anos não trazem mais!

- Os anos não, nem os dias,
Que isso cabe às cotovias.
Meu bico é bem pequenino
Para o bem que é deste mundo:
Se enche com uma gota de água.
Mas sei torcer o destino,
Sei no espaço de um segundo
Limpar o pesar mais fundo.
Voei ao Recife, e dos longes
Das distâncias, aonde alcança
Só a asa da cotovia,
- Do mais remoto e perempto
Dos teus dias de criança
Te trouxe a extinta esperança,
Trouxe a perdida alegria.



GRILO GRILADO  -  Elias José
O grilo, 
coitado, 
anda grilado, 
e eu sei 
o que há.
Salta pra aqui, 
salta pra ali. 
Cri-cri pra cá, 
cri-cri pra lá.
O grilo, 
coitado, 
anda grilado 
e não quer contar. 
No fundo, 
não ilude, 
é só reparar 
em sua atitude 
pra se desconfiar.
O grilo, 
coitado, 
anda grilado 
e quer um analista 
e quer um doutor.
Seu Grilo, 
eu sei: 
o seu grilo 
é um grilo 
de amor.


Caixa mágica de surpresa – Elias José

Um livro
é uma beleza,
é caixa mágica
só de surpresa.

Um livro
parece mudo,
Mas nele a gente
descobre tudo.

Um livro
tem asas
longas e leves
que, de repente,
levam a gente
longe, longe

Um livro
é parque de diversões
cheio de sonhos coloridos,
cheio de doces sortidos,
cheio de luzes e balões.

Um livro é uma floresta
com folhas e flores
e bichos e cores.
É mesmo uma festa,
um baú de feiticeiro,
um navio pirata do mar,
um foguete perdido no ar,
É amigo e companheiro.




O mosquito escreve – Cecília Meireles

O mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.
O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U, e faz um I.
Este mosquito
esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí, 
se arredonda e faz outro O,
mais bonito.
Oh! 
Já não é analfabeto, 
esse inseto,
pois sabe escrever seu nome.
Mas depois vai procurar 
alguém que possa picar,
pois escrever cansa, 
não é, criança?
E ele está com muita fome.





A casa - Vinicius de Moraes

Era uma casa 
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.





As borboletas – Vinicius de Moraes

Brancas 
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então . . .
Oh, que escuridão!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A beleza da poesia brasileira

Em fim de férias, nada como ler boas poesias para recuperar as energias e purificar a alma.

 Aprendizado – Ferreira Gullar

 
Do mesmo modo que te abriste à alegria
           abre-te agora ao sofrimento
           que é fruto dela
           e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
           que da alegria foste
                                    ao fundo
           e te perdeste nela
                                    e te achaste
                                    nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
                                    e em tua carne vaporize
                                    toda ilusão

que a vida só consome
o que a alimenta.
                

De Barulhos (1980-1987)

Das utopias – Mário Quintana

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não quere-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a magica presença das estrelas!

No meio do caminho – Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
 
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


Retrato - Cecília de Moraes
 
Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, 
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?


Soneto da fidelidade - Vinicius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto 
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento. 
 
Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em seu louvor hei de espalhar meu canto 
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento. 

E assim, quando mais tarde me procure 
Quem sabe a morte, angústia de quem vive 
Quem sabe a solidão, fim de quem ama 
 
Eu possa (me) dizer do amor (que tive): 
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mia Couto


Mia Couto, um dos principais escritores africanos, nasceu em Moçambique em 1955. Seu primeiro romance, Terra Sonâmbula, foi publicado em 1992 e foi considerado um dos 12 melhores livros africanos do século XX.
Em suas obras, o autor tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Em 1998, foi eleito sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa.

Para nosso prazer, um poema desse grande escritor Mia Couto.
Boa leitura!

Companheiros
Quero
escrever-me de homens
quero
calçar-me de terra
quero ser
a estrada marinha
que prossegue depois do último caminho
e quando ficar sem mim
não tereri escrito
senão por vós
irmãos de um sonho
por vós
que não sereis derrotados
deixo
a paciência dos rios
a idade dos livros
mas não lego
mapa nem bússola
por que andei sempre
sobre meus pés
e doeu-me
às vezes
viver
hei-de inventar
um verso que vos faça justiça
por ora
basta-me o arco-íris
em que vos sonho
basta-te saber que morreis demasiado
por viverdes de menos
mas que permaneceis sem preço
companheiros

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Uma Literatura que vale a pena conhecer


A literatura de cordel é uma poesia popular de tom humorístico que aborda assuntos da vida cotidiana da cidade ou da região. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades etc.
Para melhor entender O que é Literatura de Cordel, abaixo segue uma música de Francisco Diniz, que de um modo poético conceitua bem o que é essa literatura.



Literatura de Cordel

É poesia popular,
É história contada em versos
Em estrofes a rimar,
Escrita em papel comum
Feita pra ler ou cantar.

A capa é em xilogravura,
Trabalho de artesão,
Que esculpe em madeira
Um desenho com ponção
Preparando a matriz
Pra fazer reprodução.

Mas pode ser um desenho,
Uma foto, uma pintura,
Cujo título, bem à mostra,
Resume a escritura.
É uma bela tradição,
Que exprime nossa cultura.

7 sílabas poéticas,
Cada verso deve ter
Pra ficar certo, bonito
E a métrica obedecer,
Pra evitar o pé quebrado
E a tradição manter.

Os folhetos de cordel,
Nas feiras eram vendidos,
Pendurados num cordão
Falando do acontecido,
De amor, luta e mistério,
De fé e do desassistido.

A minha literatura
De cordel é reflexão
Sobre a questão social
E orienta o cidadão
A valorizar a cultura
E também a educação.

Mas trata de outros temas:
Da luta do bem contra o mal,
Da crença do nosso povo,
Do hilário, coisa e tal
E você acha nas bancas
Por apenas um real.

O cordel é uma expressão
Da autêntica poesia
Do povo da minha terra
Que luta pra que um dia
Acabem a fome e miséria,
Haja paz e harmonia.

Os principais cordelistas dessa Literatura encantadora e crítica são: Apolônio Alves dos Santos, Arievaldo Viana Lima, Cego Aderaldo, Elias A. de Carvalho, Elias A. de Carvalho, Firmino Teixeira do Amaral, Francisco das Chagas Batista, Francisco Sales Arêda, Gonçalo Ferreira da Silva, João Martins de Athayde, João Melchíades Ferreira, Joaquim Batista de Sena, José Camelo de Melo Resende, José Costa Leite, José Pacheco, Leandro Gomes de Barros, Manoel Camilo dos Santos, Manoel d'Almeida Filho, Manoel Monteiro, Mestre Azulão, Patativa do Assaré, Raimundo Santa Helena, Severino Milanês, Silvino Pirauá, Zé da Luz, Zé Maria de Fortaleza.

Para se encantarem com a Literatura de Cordel, abaixo uma poesia rica em cultura:

Brasi Caboco
Autor: Zé da Luz
O qui é Brasí Caboco? 
É um Brasi diferente 
do Brasí das capitá. 
É um Brasi brasilêro, 
sem mistura de instrangero, 
um Brasi nacioná!

É o Brasi qui não veste 
liforme de gazimira, 
camisa de peito duro, 
com butuadura de ouro... 
Brasi caboco só veste, 
camisa grossa de lista, 
carça de brim da “polista” 
gibão e chapéu de coro!

Brasi caboco num come 
assentado nos banquete, 
misturado cum os home 
de casaca e anelão... 
Brasi caboco só come 
o bode seco, o feijão, 
e as veiz uma panelada, 
um pirão de carne verde, 
nos dias da inleição 
quando vai servi de iscada 
prus home de posição.

Brasi caboco num sabe 
falá ingrês nem francês, 
munto meno o português 
qui os outros fala imprestado... 

Brasi caboco num inscreve; 
munto má assina o nome 
pra votar pru mode os home 
Sê gunverno e diputado 
Mas porém. Brasi caboco, 
é um Brasi brasileiro, 
sem mistura de instrangero 
Um Brasi nacioná!

É o Brasi sertanejo 
dos coco, das imbolada, 
dos samba, dos vialejo, 
zabumba e caracaxá! 
É o Brasi das vaquejada, 
do aboio dos vaquero, 
do arranco das boiada 
nos fechado ou tabulero! 
É o Brasi das caboca 
qui tem os óio feiticero, 
qui tem a boca incarnada, 
como fruta de cardoro 
quando ela nasce alejada!

É o Brasi das promessa 
nas noite de São João! 
dos carro de boi cantano 
pela boca dos cocão.
É o Brasi das caboca 
qui cum sabença gunverna, 
vinte e cinco pá-de-birro 
cum a munfada entre as perna! 
Brasi das briga de galo! 
do jogo de “sôco-tôco”! 
É o Brasi dos caboco 
amansadô de cavalo!

É o Brasi dos cantadô, 
desses caboco afamado, 
qui nos verso improvisado, 
sirrindo, cantáro o amô; 
cantando choraro as mágua: 
Brasi de Pelino Guedes, 
de Inácio da Catingueira, 
de Umbelino do Texera 
e Romano de Mãe-d’água!

É o Brasi das caboca, 
qui de noite se dibruça, 
machucando o peito virge 
no batente das jinela... 
Vendo, os caboco pachola 
qui geme, chora e soluça 
nas cordas de uma viola, 
ruendo paxão pru ela!

É esse o Brasi caboco. 
Um Brasi bem brasilero, 
sem mistura de instrangêro 
Um Brasi nacioná! 
Brasi, qui foi, eu tô certo 
argum dia discuberto, 
pru Pêdo Arves Cabrá.

Gostaram? Então aproveitem e se deliciem com essa nova forma de expressão.
Boa leitura!

A paixão pelo mar

A narrativa de Izabel Pimentel, A travessia de uma mulher, conta suas aventuras e sua paixão pelo mar.
Em companhia de Petiti Eric, seu gato, a escritora revela as aventuras, pesadelos e desesperos vividos na atravessia entre a Europa e o Brasil em um barco a vela de 21 pés.
De uma forma objetiva e poética, Pimentel conquista e emociona o leitor ao revelar minuciosamente seu sonho.
Uma combinação de coragem e dedicação fez com que Izabel seja a primeira mulher a cruzar o Atlântico em navegação solo, um exemplo para todos nós.
Um livro interessante, bonito e encantador que deveria ser lido por todas as pessoas que duvidam de suas potencialidades, além, é claro, dos que curtem a natureza, o perigo e a liberdade.
Boa leitura!
A TRAVESSIA DE UMA MULHER: ELA CRUZOU O ATLANTICO EM 40 DIAS E TRANSFORMOU SUA VIDA AOS 40 ANOS

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Praia e livros


Para quem está de férias na praia do Cassino em Rio Grande não pode deixar de curtir as diversas atrações que o balneário oferece como o passeio de vagonetas nos Molhes da Barra, a visita ao Navio encalhado, o passeio de Banana (uma bóia em formato de banana puxada por uma lancha em alto mar), a maratona de 50KM,  a tradicional festa de Iemanjá, a feira de doces localizada na avenida Rio Grande, o comércio, o Praião (campeonato de futebol) e claro, a 38ª feira do livro da FURG, localizada na praça Didio Duhá, no Cassino.
Com 42 estandes e o tema Rio Grande em sua aguá, a feira do livro oferece exposições e oficinas relacionadas ao tema da feira, atividades lúdico-pedagógicas e apresentações de teatro, dança, shows, noite de autógrafos e poesia.
Um programa cultural para ser apreciado ao fim do dia, após sair da praia e após tomar um belo chimarrão na Avenida.
Bom passeio e boa leitura!
Até amanhã, com mais leituras!!!